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Quanto custa mesmo uma hora de um colaborador na construção?

O salário é só metade da conta. TSU, seguro, subsídios e horas não trabalhadas: como calcular o custo/hora real de um trabalhador da construção em Portugal.

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Resposta curta: perto do dobro do que parece. Um trabalhador com €1.100 de salário base não custa €6 e poucos à hora — custa, tipicamente, mais de €12. Quem orçamenta mão de obra com o valor “aparente” está a oferecer margem ao cliente sem saber. Vamos à conta.

A conta completa, com números

Exemplo ilustrativo para um oficial de construção com salário base de €1.100/mês (14 meses por ano, como manda a lei):

ComponenteMensal
Salário base€1.100,00
Provisão do subsídio de férias (1/12)€91,67
Provisão do subsídio de Natal (1/12)€91,67
TSU da empresa — 23,75% sobre salário e subsídios€304,79
Seguro de acidentes de trabalho (ex.: 3% na construção)€38,50
FCT + FGCT (1%)€11,00
Subsídio de alimentação (€6,00 × 22 dias)€132,00
EPI, medicina no trabalho, fardamento€35,00
Custos indiretos (ferramenta, transporte, telemóvel)€80,00
Custo total mensal€1.884,63

Valores ilustrativos: o prémio do seguro varia com a atividade e a sinistralidade da empresa, o subsídio de alimentação com o instrumento de regulamentação coletiva aplicável, e os custos indiretos com a operação de cada um. A estrutura da conta, essa, é igual para todos.

O denominador é a segunda armadilha

Dividir o custo mensal pelas 176 horas do calendário (22 dias × 8 horas) é o segundo erro clássico. O trabalhador não trabalha 176 horas todos os meses:

  • 22 dias úteis de férias por ano;
  • Cerca de uma dúzia de feriados;
  • Formação obrigatória, faltas justificadas, consultas, baixas.

Feitas as contas anuais (≈2.080 horas de calendário − férias − feriados), um trabalhador a tempo inteiro rende à volta de 1.800 horas por ano, ou seja, ~150 horas por mês — e é por essas que o custo se divide, porque os custos correm nos 12 meses todos.

O resultado

€1.884,63 ÷ 150 horas = €12,56 por hora.

Contra os €6,25/hora “aparentes” (€1.100 ÷ 176), é um fator de 2,0×. Uma equipa de quatro pessoas durante uma semana numa moradia não custa €1.000 de mão de obra — custa €2.000. Se o orçamento foi feito com o número errado, a diferença sai da margem, silenciosamente, obra após obra.

O que fazer com este número

  1. Calcule o custo/hora real de cada colaborador — não uma média da empresa. Um servente e um encarregado não custam o mesmo, e as equipas mudam de obra para obra.
  2. Use-o na orçamentação — os artigos com forte componente de mão de obra são os primeiros onde a margem teórica mente.
  3. Impute as horas reais à obra real — o cálculo só vale se as horas picadas na obra entrarem ao custo real. É a diferença entre saber a margem no fim do ano e vê-la enquanto a obra decorre.

No Obratik, esta conta vive na ficha de cada colaborador — taxas legais, subsídios, seguro e uma tabela aberta de custos adicionais — e o resultado alimenta automaticamente as folhas de horas e o custo de cada obra (como funciona). O ponto picado com geolocalização garante que as horas imputadas são as verdadeiras.

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